quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de maio: abolição da escravatura - Reflexão


Livraria da Folha.
Nesta quinta-feira, 13 de maio, a abolição da escravatura no Brasil completa 122 anos. O dia é marcado a aprovação da Lei Áurea de 1888, assinada pela princesa Isabel. Contudo, as lutas dos negros pela liberdade, a pressão dos abolicionistas e a interferência internacional da Inglaterra foram os verdadeiros responsáveis pelo fim da escravidão no país.
Hoje nos horrorizamos com a possibilidade de cecear a liberdade de outro ser humano, mas a prática é pré-histórica e muito comum desde os primórdios da humanidade. É virtualmente impossível --independente de suas origens-- que não exista um escravo, negro ou não, no rol de seus ancestrais.
A escravidão negra é relativamente recente em termos históricos. Antes disso, a cor da pele não era um fator decisivo. Os gregos e os romanos escravizavam os povos conquistados, muitos deles de olhos azuis.
Segundo o autor francês Olivier Pétré-Grenouilleau, "A escravidão é um assunto particularmente doloroso e chocante, um crime contra a humanidade, que provoca nossa indignação. É espantoso que tenhamos conseguido conviver com ela durante tanto tempo. Mas bons sentimentos e julgamentos morais não bastam: se quisermos combater de maneira eficaz uma prática tão frequente na história do mundo, temos de nos esforçar para compreender o que ela favoreceu, por que foi imposta por tanto tempo e como pôde ser admitida."
Leia artigo na íntegra:

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O MEDO DA FALTA DE ÁGUA - Coluna "Falando Sério" de Wellington C. Ramos - Jornal da Manhã

Ambientalistas uberabenses veem com reservas o pedido de socorro da Prefeitura de Uberlândia à de Uberaba, em busca de soluções para o seu preocupante abastecimento de água. A extensão do apelo ainda é desconhecida, mas, segundo Cacá Perez, do portal “Voz do Cerrado”, há motivos mais do que suficientes para um amplo debate sobre o quadro de lá e daqui.
Fonte:

sábado, 8 de maio de 2010

Promotoria de Meio Ambiente estabelece prazo para solucionar caso do ‘lixão do Espírito Santo’ - J.U.

05/05/2010
Audiência realizada ontem na 1ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Meio Ambiente debateu a situação de danos ambientais no lixão desativado no Jardim Espírito Santo. Na semana passada, o promotor Carlos Alberto Valera recebeu denúncia do ambientalista Israel Garcez mostrando, com fotos, que o Termo de Ajustamento de Conduta, celebrado em outubro do ano passado, não está sendo cumprido. O ofício e as fotos foram anexados ao inquérito civil que trata do assunto.

O vice-presidente da Associação do bairro Jardim Espírito Santo, José Aparecido da Silva, explicou que a recomendação do Ministério Público, para que a área do antigo lixão não recebesse resíduos, não está sendo cumprida. "O local está recebendo todo tipo de resíduos. Charreteiros, caçambeiros e veículos particulares estão depositando na área todo tipo de resíduos, além de materiais de construção, lixo doméstico, animais mortos e vários detritos, com aglomeração de urubus. O descarte irregular está acontecendo à noite, principalmente nos dias de feriados e finais de semana, a partir das 22h. No antigo lixão estão sendo criadas vacas e cabras leiteiras, que estão consumindo a vegetação e até mesmo resto de lixo e o leite produzido está sendo comercializado para moradores do entorno", observou Silva, segundo consta no termo de audiência.

Após longo debate, o promotor determinou que a Prefeitura de Uberaba providencie a limpeza do descarte irregular na área em até 30 dias, prazo em que também terá de refazer as leiras que impedem o acesso ao local, bem como instalar nova cerca de arame farpado de cinco fios. Também ficou determinado que a Secretaria de Meio Ambiente faça a correção, em 30 dias, do projeto técnico de recuperação florestal (PTRF), facultando aos interessados manter contato com a equipe da Semam para apresentarem sugestões visando a melhor recuperação da área.

Será requisitada da Secretaria de Trânsito, Transportes e Proteção de Bens e Serviços Públicos (Settrans) intensa fiscalização no local para coibir a criação de gado e cabras, já que é proibida a criação de animais no perímetro urbano pelo Código de Posturas do Município. Após este prazo a Secretaria deverá emitir relatório mostrando os trabalhos fiscalizatórios desenvolvidos. A Polícia Militar do Meio Ambiente também será requisitada para promover a fiscalização no local, em especial nos feriados e finais de semana, a partir de 20h.

Participaram da audiência, além do promotor Carlos Valera e Silva, a diretora do Departamento de Coleta de Resíduos da Prefeitura de Uberaba, Ronilda Alves Silva; os ambientalistas Carlos Perez e Israel Garcez; e o advogado e presidente do Partido Verde em Uberaba, Marco Antônio Figueiredo. Eles destacaram o grande risco ambiental no local, já que o lençol freático continua sendo contaminado com chorume e outros materiais pesados, e também debateram a situação do lixão na Pedreira de Léa.
Maria das Graças Salvador
Fonte:
http://www.jornaldeuberaba.com.br/?MENU=CadernoA&SUBMENU=Cidade&CODIGO=36652

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Uberlândia pode precisar de água do Rio Claro

Rio Claro (área de covoais cercado pelo agronegócio). Foto:Google Earth
Tenho informações de que a Prefeitura Uberlândia está solicitando ajuda à Prefeitura de Uberaba no abastecimento de água.
A proposta seria criar uma APA para o Rio Claro e o Beija Flor, e possível transposição do Rio Claro, assim como já acontece em Uberaba.
A gravidade da questão da água já não é para o futuro, é presente. Mais um motivo para intensificar os cuidados com nossas APAs-Áreas de Preservação Ambiental, nossas APPs-Áreas de Preservação Permanente, e consequentemente as reservas legais (que a cúpula ruralista quer diminuir). Mais um motivo para se rever o lixão no Jd. Espírito Santo e o descarte na Pedreira de Léa, tão próxima do córrego Lageado, afluente do Rio Uberaba. 
A água é um bem comum e não é propriedade dessa ou daquela comunidade, por isso, juntos, Uberaba e Uberlândia devem assumir posições mais sustentáveis em relação ao meio ambiente.
Prevenir é melhor que remediar, e é mais barato também. Precisamos de gestores mais sensíveis e competentes e não de iniciativas paleativas.
Maior preservação das áreas de covoais do Rio Claro; revitalização do Rio Uberaba, suas matas ciliares e respeito à sua APA; diminuir o desperdício de água; maior controle e reutilização do uso da água pelo agronegócio, são algumas medidas urgentes que devem ser tomadas, antes que seja tarde.

Lixão do Jd. Espírito Santo - MP abre novo inquérito

Foto: Israel Garcêz

Nova audiência envolvendo o lixão do Jardim Espírito Santo foi realizada com o Promotor do Meio Ambiente, Carlos Valera, contando com a presença do Presidente de bairro José Aparecido da Silva, da vice-presidente Ronilda Alves Silva, do ativista e responsável pela reabertura do processo Israel Garcêz, o Dr. Marco Antônio de Figueiredo representando o PV, Angelina Martins Botta representando a PMU e eu, representando o TEU e o Voz do Cerrado.
No inquérito o Promotor cita depoimento do Presidente da Associação de bairro do Jd. Espírito Santo de que "não obstante a determinação da Prefeitura, em atendimento a recomendação do Ministério Público, de que a área no Jardim Espírito Santo não mais recebesse qualquer tipo de resíduo, tal situação vem sendo sistematicamente descumprida, conforme várias fotos já ajuntadas ao inquérito civil".
A vice-presidente Ronilda relatou que vários caminhões despejam lixo de toda espécie durante a noite e madrugada, ocupando até mesmo as ruas. A combustão espontânea, derivada do metano produzido no lixão, é comumente presente também.
O PTRF-Projeto Técnico de Recuperação Florestal, executado pela PMU, não foi suficiente para mudar a situação do lixão, ficando assim determinado pelo promotor Carlos Valera: "I-requisite-se da PMU, via SEMAM, no prazo de 30 dias, que fará a correção do PTRF - projeto técnico de recuperação florestal, facultando aos interessados (ONG TEU, ONG Voz do Cerrado e ao ativista Israel) manterem contato com os respectivos técnicos para apresentarem sugestões técnicas visando à melhor forma de recuperação". 
O MP também cobrou da PMU uma maior fiscalização do local, visando coibir o descarte irregular de lixo.
O chorume, próximo ao Rio Uberaba, é outro grave problema ambiental.
A área é uma APA-Área de Preservação Ambiental, assim como a Pedreira de Léa, o que nos traz maior indignação ainda. Como se pode admitir o descarte de qualquer tipo de lixo, em área de APA?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Liminar suspende Leilão da Usina de Belo Monte

Apesar de decisão judicial contrária, o governo espera realizar hoje o leilão da usina de Belo Monte. Ontem, minutos depois de ser informado de nova liminar suspendendo o leilão, o governo entrou com recurso para cassar a decisão.
A liminar de ontem foi concedida pelo juiz Antonio Carlos Almeida Campelo, de Altamira (PA), que atendeu um pedido do Ministério Público Federal. Essa é a segunda tentativa do MPF de brecar o leilão da usina, orçada em cerca de R$ 19 bilhões e um dos maiores projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Fonte: Folha de São Paulo online

Cansado de esperar PMU cadeirante faz rampa com as próprias mãos

Por Israel Garcêz
Serviço inacabado na Avenida Lucas Borges com a Rua Rockfeller ainda continua sem solução. Dia 26/10/2009 tirei algumas fotos e levei ao Secretário de Infra-estrutura e o problema não foi solucionado; no dia 01/02/2010 procurei o secretário de Governo Antônio Sebastião de Oliveira para pedir uma autorizarão para construir as rampas, e ele se responsabilizou e disse que as rampas seriam construídas em uma semana, só que até hoje, dia 19/04/2010 nem sinal de Prefeitura, e além de não dar a autorização, ninguém se preocupou em fazer as RAMPAS, então resolvi quebrar o meio-fio e rebaixar a guia.
O pior de tudo isso é que o Poder Publico só tinha que obrigar a Construtora, que está fazendo o Residencial Tancredo Neves, construí-las, porque todo novo loteamento deve ser feito com Acessibilidade, “ISSO É LEI”.
Eu observei que toda obra que tem a Prefeitura em parceria com as Construtoras, “FICA TUDO FORA DAS NORMAS”. Quem quiser ver se é verdade, pode ir até o Residencial Tancredo Neves e conferir as poucas RAMPAS que foram feitas lá, e não estão dentro da Normas da ABNT. E isso tudo é porque RAMPAS não dão VOTO.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mudança de paradigma: da destruição à preservação


Preservar o meio ambiente é preservar a produção e respeitar a biodiversidade.
O Brasil ensaia os primeiros passos para uma mudança de paradigma, onde até então a destruição ambiental era sinônimo de desenvolvimento. Enquanto a árvore deitada valer mais que a árvore em pé tudo será em vão.
Fonte do vídeo: Globo News

Índios preparam invasão de área da usina de Belo Monte

AGNALDO BRITO
Enviado especial a Altamira (PA)
Os índios da bacia do médio Xingu preparam a ocupação do Sítio Pimental, uma ilha localizada a 40 quilômetros de Altamira (Pará) onde será construída a barragem principal e a casa de força auxiliar da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Segundo a Folha apurou, a ação está sendo articulada para ocorrer ainda nesta semana, provavelmente amanhã (20), dia do leilão da obra. Nestes dias é comemorada a Semana do Índio. Hoje, 19 de abril, é o Dia do Índio. Entidades ambientalistas apoiam o ato, pois consideram a ação uma forma de resistência pacífica ao empreendimento.

Dia do Índio é motivo de denúncia em BH

Em programa da TV Assembléia (ALEMG) do dia 19 de abril, Dia do Índio, denúncias foram feitas sobre maus tratos a representantes de comunidades indígenas que tentavam expor seus trabalhos artesanais na capital mineira, Belo Horizonte. Tratados como bandidos, ficaram retidos por várias horas por funcionários da Prefeitura de BH. Durante a audiência no plenarinho da Alemg, foi cobrado dos deputados estaduais providências de reparação e investigação sobre tamanha arbitrariedade. O Deputado do PCdoB, Carlin Moura, disse que não pode ser imposto às nações indígenas regras feitas pela sociedade, sem a anuência e participação dessas comunidades. Infelizmente o que se viu em BH foi exatamente isso, o desrespeito e crime contra essas "minorias" que um dia foram maioria na terra de Tupi.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

A carta que James Cameron enviou a Lula sobre Belo Monte

Por Lauro Jardim - 11 de abril de 2010

James Cameron, diretor de Avatar e Titanic, os dois maiores blockbusters da história do cinema, enviou na quarta-feira passada uma carta a Lula pedindo que seja revista a decisão do governo de construir a megausina hidrelétrica de Belo Monte. Na carta, Cameron, que chegou ao Brasil ontem para lançar o DVD de Avatar, pede para ser recebido por Lula e acusa Belo Monte de ser “ um projeto dinossauro, baseado em soluções do século passado“. O Planalto negou a audiência ao cineasta.

Lula não quer poleminar sobre um assunto sobre o qual ele disse na quinta-feira: “Uma coisa vocês podem estar certos: nós vamos fazer Belo Monte. Isso é importante que fique claro em alto e bom som”. Mas a carta foi recebida pelo governo e até agora está sem resposta.

Na carta de 1499 palavras, Cameron diz coisas como:

- Vossa Excelência tem uma grande oportunidade, como líder mundial, de tomar medidas decisivas em curto prazo para demonstrar o comprometimento do Brasil com estas questões vitais. Estou me referindo ao projeto da usina de Belo Monte, que deverá ir a leilão em 20 de abril. Eu acredito profundamente que este projeto não deveria ser realizado, e eu apelo a vossa excelência , com base na lógica e na compaixão, a interceder e impedir seu progresso.
- Vossa excelência pode questionar meu posicionamento sobre esta questão, como não brasileiro, mas eu acredito que esse tema nos afeta a todos, em todo o mundo.
- Existe vários argumentos lógicos contra a hidrelétrica. A usina irá inundar mais de 500 Km2 de terra, e desviar grande parte do fluxo do Xingu para dois canais artificiais para a barragem. Isto deixará comunidades indígenas e tradicionais sem água, peixes e meios de transporte fluvial por 100 km na Volta Grande. A baixa do nível das águas do rio prejudicará a produção agrícola na região, afetando pequenos agricultores indígenas e não indígenas e a qualidade da água.

Provavelmente, a floresta amazônica nesta região não sobreviverá. A formação poças de água represada entre os seixos da Volta Grande será um forte vetor de proliferação de malária e outras doenças . Comunidade rio acima, incluindo os Kayapós, irão sofrer com a perda de peixes migratórios que são parte crucial de sua dieta.

- A hidrelétrica de Belo Monte está sendo financiada e subsidiada pelos contribuintes brasileiros, mas pouco da energia gerada irá para a população. A maior parte será consumida pelas mineradoras de alumínio das vizinhanças, que empregam muito pouco em relação aos à energia consumida, e cujos lucros corporativos serão majoritariamente enviados para o exterior. Acredito que a população brasileira não está ciente disso, e vê a hidrelétrica como um projeto criado para seu benefício. As demandas de energia do Brasil seriam melhor atendidas com investimento de uma fração dos custos destes mega-projetos em alternativas mais eficientes e renováveis, como energia eólica e solar .

-Acredito que, como líder mundial, Vossa Excelência tem a uma oportunidade sem precedentes de tomar uma posição e ser visto como um herói do século 21, ao guiar o Brasil rumo a uma visão sustentável de futuro. Belo Monte é um projeto dinossauro, baseado em soluções do século passado. Olhar os rios do Brasil como energia líquida é um paradigma obsoleto.

- Possivelmente Vossa Excelência me considerem um estrangeiro invasivo que não entende a realidade política de seu país. Mas eu me preocupo profundamente com o futuro de todos nós, e por isso me sinto compelido a falar. Seria uma enorme honra para mim poder discutir estes assuntos pessoalmente com Vossa Excelência.

Movimentos sociais protestam em Brasília contra hidrelétrica em Belo Monte

Nesta segunda, 12 de abril, os movimentos sociais realizam um grande ato político de protesto contra Belo Monte, pedindo a anulação da licença prévia e do Leilão que está marcado para o dia 20 de abril. O ato é articulado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre, MAB, CIMI, COIAB, ISA, Rede Brasil, Amigos da Terra Amazônia Brasileira, International Rivers e diversas organizações que vem apoiando essa luta de resistência contra Belo Monte.
A concentração acontecerá das 8h às 12h, na Torre de Televisão. A caminhada se estenderá por cerca de três quilômetros percorrendo a Esplanada dos Ministérios, parando em frente de seis órgãos governamentais para os discursos contra o leilão. Os pontos serão: Ministério da Justiça, Congresso Nacional, Ministério do Meio Ambiente, Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério de Indústrias e Comércio e ANEEL.
O movimento organiza também uma coletiva de imprensa às 14h na, Tenda da UNB, onde está acontece o evento do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Esse momento é crucial, pois estamos às vésperas do leilão e aguardando o julgamento das duas ações civis públicas ajuizadas pelo MPF nesta quinta, dia 08. A participação de todos é fundamental para pressionarmos os diversos órgãos do governo e tentarmos reverter esse processo.

sábado, 27 de março de 2010

Tomates contaminados - Renato Muniz Barretto de Carvalho

Adoro tomates. Os bem vermelhos, os verdes, os grandes, os pequenos, nas saladas, nos molhos, fritos, recheados e até em receitas que ainda não experimentei.
Infelizmente, junto com os pimentões, morangos e batatas, é um dos alimentos mais contaminados por agrotóxicos no Brasil. Esses alimentos, tão saudáveis e necessários, são contaminados por substâncias tóxicas durante o processo de produção e, às vezes, no preparo e manipulação.
Apesar de o Brasil possuir uma legislação que proíbe o uso de alguns produtos tóxicos na agricultura, que regulamenta quantidades, que estabelece carências e outros procedimentos para tornar os alimentos mais seguros para o consumo humano, nem sempre as recomendações são seguidas. O maior prejudicado é o consumidor, que consume produtos contaminados por venenos altamente tóxicos, danosos à saúde humana. Prejudicados também são os trabalhadores que manipulam esses produtos sem a devida proteção. E o meio ambiente.
No ano passado, em abril, a ANVISA, órgão do Ministério da Saúde, divulgou uma pesquisa sobre contaminação de alimentos no Brasil. Muitas amostras analisadas apresentaram problemas. Alguns produtos estavam com índices elevados de contaminação, dentre eles o pimentão, a uva, o morango e a cenoura. Na ocasião, o ministro Temporão chegou a declarar que iria cortar o pimentão de sua dieta.
O ministro tem feito um bom trabalho à frente do Ministério da Saúde, mas ao invés de cortar o pimentão de sua dieta, ele devia, isto sim, fazer gestões e desenvolver políticas públicas para cortar os agrotóxicos definitivamente de nossos alimentos. Os efeitos seriam mais eficazes e os ganhos em termos de qualidade de vida e saúde bem maiores. Como médico ele deve saber disso.
O governo federal até que tem feito sua parte, mas ainda de forma tímida. Tem incentivado a produção e o consumo de produtos orgânicos, mas falta muita coisa. Falta, sobretudo, desvendar melhor as relações políticas e sociais envolvidas na produção de alimentos, as relações predatórias existentes entre a agricultura e as grandes empresas produtoras de venenos e outros insumos. Precisa impedir a fragilização dos pequenos agricultores e proteger o consumidor interno. Falta fiscalizar melhor e denunciar o uso intensivo de venenos na produção de alimentos. Denunciar o vínculo entre os interesses agroindustriais e o desmatamento. Essas questões andam sempre juntas: questões sociais, políticas e ambientais. É bom lembrar que não há uso responsável de agrotóxicos. Responsabilidade é não usar.
O assunto é polêmico, é antigo, e muita tinta, saliva e papel já foram gastos para se tentar resolver o problema. Denúncias graves, apreensões de produtos, alterações nas fórmulas, produtos vencidos e, no entanto, o país continua na lista como um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. A última denúncia, feita em março de 2010, vem de um grupo de fiscais que percorreu várias plantações de tomate no interior de São Paulo. Foram encontradas inúmeras irregularidades: trabalhadores sem equipamentos de proteção, péssimas condições de moradia, jornada excessiva de trabalho, condições precárias de armazenamento e manuseio de agrotóxicos, dentre outros pontos graves. Trabalhadores foram flagrados pulverizando lavouras sem nenhuma proteção, adolescentes trabalhando, o que é proibido nesse tipo de lavoura, agrotóxicos misturados sem nenhum critério, uso de venenos de forma ilegal. Boa parte dessas plantações abastece a grande São Paulo.
Isso confirma a idéia de que a degradação ambiental caminha passo a passo com a degradação do trabalho, da pessoa. Quem não respeita um não costuma respeitar o outro.
E como fica o molho à bolonhesa da macarronada de domingo? Deixaremos de consumir tomate? Como fica a saúde? Nem se pode dizer que tudo vai terminar em pizza, pois vai faltar o molho de tomate.

quinta-feira, 25 de março de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

ONU: água poluída mata mais que violência no mundo

"A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras", disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).
Em um relatório intitulado "Água Doente", lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes.
O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.
Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.
A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada."(...)
Leia na íntegra:
Fonte: Reuters

Que o Verde nos perdoe...

Hoje é o Dia Mundial da Água e o início da Semana Nacional da Água. Criadas, respectivamente, há 18 anos pela ONU e há 8 anos no Brasil, são motivos mais de preocupação e alarme do que de comemoração.
No Ano da Biodiversidade, promulgada também pela ONU, o que nosso país e nossa cidade têm feito para sairem desse quadro crítico?
O que vemos são empreendimentos que atentam contra a democracia. De um lado a transposição do Rio São Francisco, que está sendo realizada de forma autoritária, sem ouvir os Comitês de Bacia e por último a Usina de Belo Monte, que segue esse mesmo padrão, sem ouvir as comunidades nativas, a dezena de povos indígenas, professores universitários, ambientalistas.
Aqui em Uberaba segue a cartilha. O Plano Diretor e a Lei Orgânica do município foram alterados para atender interesses econômicos e políticos, ignorando os "abaixo-assinados" da população e a representação do Ministério Público em relação à cana-de-açúcar, citando apenas um exemplo.
Com "uma mão" divulga-se na mídia campanhas educativas, mas "esquece-se" de mostrar o que "a outra mão" está fazendo.
O Brasil é o campeão no consumo de veneno agrícola. Grande notícia para as nossas nascentes, afluentes, riachos, rios, espécies aquáticas e para nós e todos os seres vivos que se alimentam dessas "águas".
O governo municipal planta árvores na cidade mas permite um ecocídio no campo, avalizando e incentivando usinas e monoculturas que agridem nosso cerrado há décadas.
No Brasil e por aqui, a cúpula ruralista quer "flexibilizar" o Código Florestal, diminuindo reservas legais; averbando áreas fora da bacia hidrográfica e outros absurdos, que só diminuirão as reservas naturais e a biodiversidade, em nome do "desenvolvimento".
Enquanto isso no "primeiro mundo" começou a "cair a ficha", investindo na preservação de nascentes, mananciais, deixando de gastar 10 vezes mais com a remediação no tratamento dessas águas, se não fossem preservadas em sua origem.
Por aqui a meta é "avançar e produzir", o que na verdade significa ampliar a destruição, como se o problema do alimento não fosse a distribuição e o preço mínimo ou subsídio que deveríamos dar ao pequeno produtor, ao invés de combatermos os subsídios externos.
Se nem o homem, que já é do campo, não consegue permanecer por lá por falta de uma política agrícola sustentável e justa, que dirá daquele que nem preparo tem para lidar com a terra.
Enquanto isso a pasta de meio ambiente no planalto vai cedendo às tentações do poder.
Aqui na terrinha ao menos houve mudança de gestor. O atual, Carlos Assis, participou do governo Wagner do Nascimento, e como fui um dos participantes do CODEMA na época, me senti um pouco contemplado (já que o Anderson nunca vai querer saber o que nós ambientalistas pensamos). Faço votos que faça um bom governo e que nos ouça, pois o último gestor não tinha muita abertura com os ambientalistas.
Finalizando, nunca é demais chamar a atenção para o papel da mídia. Infelizmente são raríssimos os veículos de comunicação que ouvem o "outro lado" dos ambientalistas e da comunidade em geral. Na sua grande maioria é uma imprensa "marrom" que está subjugada aos mandos e desmandos do poder político e econômico, tanto do executivo quanto do legislativo, e o povo assiste, lê e ouve a tudo com "cara de tacho".
Mas é assim mesmo. O que manda no mundo é o interesse do capital.
Assim, quem tiver mais grana que compre uma "água saudável e potável" (se existir) e que não tiver tome "água do CODAU".
Parafraseando o Hélio Siqueira (artista plástico) só posso então dizer: QUE O VERDE NOS PERDOE!!!

Charge do Toninho

Charge do Toninho

"AQUILO QUE NÃO PODES CONSERVAR NÃO TE PERTENCE"

Excelente frase divulgada na coluna FALANDO SÉRIO de Wellington Ramos do JM. Espero que muitos ruralistas e políticos a tenham lido.